Vinde Afrodite, para levar-me, Ao paraíso de almofadas e linho branco Onde cantando, a ele, eu servirei, Em taça cinzelada em ouro puro, O afrodisíaco vinho dos meus poros. Vinde Afrodite, quero juiz para comandar, Com justiça, a luta do astuto falcão Perseguindo e aprisionando a doce pomba Que se entrega feliz, não tomba, Porque só a vida dá o prazer De em suas garras poder gemer, De liberar, do peito, longo suspiro, De perder a cabeça num giro Ao ser tocada cada parte de mim E sentir que céu e terra se fundem Na explosão de prolongado gozo. Vinde Afrodite, com vosso contingente, Declamando os versos de Sapho Até que eu adormeça, de cansaço, Nos braços do meu belo amante.
Maria Hilda de J. Alão
Escrito por Beija Flor às 21h09
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